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Crônica para o Ano-Novo
No ano-novo
quero um planeta mais saudável, sem tantas guerras, sem fome, nem falsas boas
intenções. O ano só se renova se ao longo do ano que agora termina fizemos
algo melhor para a humanidade que começa em nós, com o nosso vizinho, com os
nossos amigos, com o meio ambiente e com um modo mais amistoso e honesto de ser.
Vivemos nossos dias diferentes; nos habituamos a falar um outro idioma e até no
que achamos errado, fazemos de conta que aceitamos em silêncio sem brigar com
os costumes locais. Mas aprendemos que na vida de imigrante estando longe ou
perto há coisas que não mudam dentro de nós.
Desejo um ano com novos desafios e a força e a coragem para superar os
obstáculos aparentes.
Para
quem vive tempos de mudanças radicais , desejo a calma de dias nublados onde
tudo parece incerto e somente a fé nos sustenta.
Para
aqueles que vive dias mais seguros desejo a generosidade para que passem adiante
o aprendizado e saibam compartilhar sem a pressa de dias ensolarados.
Para
aqueles que vivem seus dias inertes, desejo a palavra mais singela abrindo as
portas de um dia mais azul e menos cinza no que a mente cria e embaça nossos
olhos de ontem.
Para
quem ainda vive sonhos incompletos desejo a força de vontade que não morre
tão fácil e ajuda a quem caminha cambaleante por terras mais frias a reerguer-se
sem duvidar de si mesmo.
Desejo
a todos a alegria de todas as estações. Nossos sim e nossos não. No ano novo
quero recomeçar sem medo das incompreensões, sem receio das faltas e falhas,
sem a dúvida que me faz congelar meus gestos diante do desafio.
No
processo de adaptação ainda sinto frio e mesmo assim caminho todos os dias
desafiando o vento e olhando em frente sem distanciar-me dos objetivos
estabelecidos.
Desejo
um ano em que os projetos caminhem ao lado dos sonhos e sem tanta pressa tudo
venha no tempo certo. Quero esquecer de contar as horas, mas nem por isso deixar
de apressar meus passos. Mais jovem ou mais velho, isso não importa, sonhos
são feitos para serem vividos e amores são feitos para serem compartilhados.
Por isso desejo um ano renovado em energias menos pesadas, sem frases
premeditadas, sem as mesquinhas falsidades e pactos infames. Quero também um
país mais justo onde a aquarela que pintamos seja de um Brasil que pense grande
e cuide melhor dos seus filhos que nunca fogem da luta. O que me assusta não é
o futuro, mas as mil voltas que damos sem, sairmos do lugar. Nas escolhas que
fazemos e nas palavras escolhidas ás vezes distanciamos vidas e amigos e
vivemos num mundo aparte. Muitas vezes supomos demais e tão pouco sabemos quem
somos de verdade. Por isso no ano que chega “novinho em folha” quero mais
uma vez nada prometer e tudo tentar, pra quem sabe um dia eu tenha a certeza de
que “ser grande” demanda a sabedoria dos pardais que fazem suas rotas e
mudam de ninho sem perder a alegria de um canto mais melodioso.
No que escrevo e no que vivo nem tudo é poesia e nem tudo compartilho. Mas em tudo que desejo há um pouco de cada uma das pessoas que conheço e visito. Somos o resultado das nossas experiências e crenças. Somos a mistura mais inesperada e somos o novo num ano que acabou de nascer.
Ubiratan Souto Malta ou simplesmente Bira Malta
é baiano de Salvador, onde atuava como professor de inglês, além de possuir
cursos na área de turismo. Escrever para ele é uma das necessidade básicas de
sua vida. Seus relatos em forma de prosa poética caracterizam seu mundo
interior e falam das buscas de todo ser humano. Reside atualmente no sul da
Holanda.
Visite o site de Bira
Malta: www.biramalta.com
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