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IRLANDA
Turismo & Trabalho
Por Alexandre Doria
1 - Viajando para a Irlanda
Do Rio: recomendo a qualquer pessoa que saia do
Rio à Europa dar preferência às companhias aéreas listadas, já que as
mesmas dão a nós, cariocas, o direito de voar de nossa cidade, portão de
entrada da América do Sul direto em direção à Europa:
Iberia e Pluna
- via Madrid, 3 vezes por semana
Air France - via Paris
(voando diariamente e à noite!)
Do resto do Brasil: imagino que a melhor opção é a Varig, pois opera de qualquer cidade onde se esteja. A dica porém, é que, considere sempre como última opção entrar na Europa via Londres . Eles têm o controle de imigração mais terrível do continente e podem mandar o viajante para casa sem alegar motivo.
Caso não tenha passaporte europeu, lembre-se que:
- nunca conseguirá entrar na Europa sem um
bilhete de volta (nem que seja só para mostrar)
- tenha um cartão de crédito internacional.
- tenha a estória toda preparada, itinerário, o que veio fazer e
principalmente quando vai voltar, pois se o que disser não bater com o que
está escrito na passagem eles mandam de volta.
Se já estiver na Europa, a melhor maneira de se
vir para a Irlanda é pegando uma das várias companhias
baratas de várias partes da Europa. Se quiser voar para Belfast, que fica
no norte, pode-se vir via Amsterdam, pegando a Easy Jet. Para Dublin
, a melhor é a Ryanair , que voa do aeroporto de Beauvais, a uma hora de Paris.
Se já estiver na Inglaterra, é só pegar a Ryanair dos aeroportos de Stansted
, Luton , Gatwick
, Liverpool, Bournemouth ou Prestwick (Escócia).
Lembre-se que o tratado
de Schengen não vale nas ilhas, portanto não é porque você conseguiu
passar de um país para outro no continente europeu sem ser interrogado que o
mesmo vai acontecer na Inglaterra ou Irlanda. Você vai ser interrogado, se
quiser passar por Londres, mesmo que seu ponto de destino seja Dublin.
Na chegada, uma ótima surpresa: o aeroporto, ao contrário da Europa, é bem
perto, a cerca de meia hora de ônibus do centro. Pegue o AirLink para a
rodoviária, e ande até o centro, ou pegue o 41 até o centro, que é bem mais
barato mas não é expresso, vai parando. Tenha moedas quando trocar seus
dolares, pois os coletivos não dão troco. Aqui tem um mapa
da cidade.
Nos primeiros dias, pode-se ficar no albergue da
juventude , que normalmente cobra cerca de USD15, ou vários outros
albergues independentes, como o Barnacles na região do Temple Bar ou o Kinlay
House, que pertence à Usit , companhia
mundialmente famosa que tem uma rede de agências de viagens estudantis em toda
a Europa, do modelo da STB brasileira.
Portadores da carteira internacional de estudante
têm descontos. Caso se esteja em grupo, vale à pena verificar os bed and
breakfast, pequenas pensões estilo irlandês. Para conseguir um lugar para
alugar, visite o Daft, ou compre o jornal
Evening Herald. Normalmente, um inquilino deverá pagar um depósito, que na
prática nunca é devolvido.
Para dicas turísticas, é só pegar qualquer guia no escritório
de turismo situado próximo à Grafton Street, ou então, antes de vir,
escrever para o escritório de turismo da Irlanda ou a embaixada, ou visitar o website
deles.
Para acesso à internet, o melhor lugar é a O’Connell Street, rua principal
de Dublin, onde se pode pagar de 2 a 4 dolares por hora. Também ali existem
"call-centers", onde se pode chamar o Brasil pagando mais barato. Não
há um número de acesso à Embratel, como em outros países, ligar a cobrar é
muito demorado e ligar pela companhia oficial, a Eircom é bem mais caro.
A comida não é lá essas coisas e é cara. Quem não quiser ficar à base de
McDonalds (até porque depois da vaca louca e da febre aftosa, não é
recomendável), pode comer no Beshoff’s, especializado em peixe com batata
frita, espécie de prato nacional. Gasta-se cerca de USD 4 a 5 p/pessoa, mas
compre uma lata de Coca-cola, pois lá dentro custa o dobro. Estão localizados
na O’Connell e na Westmoreland Streets. Também no centro, vá na Moore
Street. Ali, há a feirinha dos estrangeiros de Dublin, e os restaurantes
chineses costumam vender comida barata e boa.
2 - Viajando pela Irlanda
A exemplo da Inglaterra e Portugal, a Irlanda é
um dos países europeus onde não se está restrito ao trem como transporte de
superfície. Eu, porém, recomendo os trens
. Os ônibus da rede nacional, a empresa Bus
Éireann , são terríveis com assentos estreitíssimos. Pague um pouquinho
mais, pegue um trem ou se estiver em grupo e tiver paciência de dirigir do lado
contrário, alugue um carro, não é tão caro como a Inglaterra. Mas venha com
uma carteira de motorista internacional, pode-se consegui-la no Touring Club ou
no Automóvel Club do Brasil.
Com certeza os lugares mais interessantes estão nas proximidades de Galway. As
outras cidades grandes, Limerick e Cork
não têm nada. Em Galway, pode-se passar um dia e reservar mais outros dois
para percorrer as atrações naturais. Existe um tur chamado The Burren and
Cliffs of Moher, que passa pela área pedregosa e os penhascos, de onde se pode
avistar o mar a uma altura que uns dizem ser de 100, 200 ou até de 400 metros,
mas nunca se sabe ao certo. Ali também se pode comprar belas camisas com
motivos celtas a preços bem mais baratos que Dublin. Também há coisas caras
como os agasalhos das ovelhas das Ilhas Árann, que custam cada um cerca de USD
45. O outro tour, vai ao lado norte de Galway, a área conhecida como Connemara,
onde há pequenas cidades com paisagens lindas. Uma dica: leve comida para o dia,
pois os tours param para almoço em pubs de interior que além de servirem
aquela comida horrível, são caríssimos.
No norte da Irlanda , se
pode tomar o caminho a partida da cidade de Drogheda, aí tanto faz se de trem
ou ônibus, não é tão longe. Próximo a Drogheda (clique aqui
para o único site sobre a cidade) há o monumento celta de Newgrange
. Daí se pode parar em Belfast
(se não estiver acontecendo nenhuma esqusitice por lá, tipo marcha de
protestantes ou de católicos. Essas coisas ainda existem, mesmo se o I.R.A.
anda inativo). Depois de um dia prossegue-se a Portrush, próximo ao local do
Giant’s Causeway, monumento celta que parece uma escadaria gigante, cuja
origem é desconhecida.
3 - Trabalhando na Irlanda
Existem dois tipos de situações para quem quer
morar na Irlanda: se você tem descendência de algum dos quinze países na União
Européia , ou se você só tem seu passaporte brasileiro.
No primeiro caso, você vai ser tratado aqui como um europeu. E boa parte dos
europeus do sul escolhem a Irlanda para morar porque atualmente este país é
considerado o "Tigre Celta", graças a investimentos de países ricos
como a Alemanha, França e Inglaterra, várias empresas se estabeleceram aqui,
tirando o país da situação marginal em que se encontrava há até uns 10-15
anos atrás. O passado da Irlanda sempre foi muito difícil, igual ou pior que o
de Portugal, ou seja, um país pobre, à margem da riqueza européia, e que
exportava mão-de-obra para a Inglaterra, vizinho rico, Europa, Estados Unidos e
Austrália. Com as recentes mudanças, porém, o país vem atraindo
principalmente italianos e espanhóis, mas também alemães e franceses, em
cujos países não se encontra emprego ou salários razoáveis como os daqui.
Estes europeus chegam aqui e conseguem trabalho em questão de poucos dias. Se
você portanto, tiver passaporte de um desses países, não terá problemas.
No caso de ter passaporte brasileiro somente, a única vantagem para nós era
que aqui não há tantos portugueses, Portanto, qualquer trabalho que requeira o
conhecimento da língua portuguesa acaba sobrando para nós brasileiros.
Atualmente, porém, a situação tem mudado bastante, e cada dia o governo
impões mais normas à concessão do visto, normas estas a que os empregadores
normalmente não querem se sujeitar, preferindo, obviamente, trabalhadores
europeus.
O sistema de concessão de visto funciona de maneira semelhante ao da Inglaterra,
ou seja, a empresa deverá conseguir o visto, o chamado work
permit , sem nenhuma inteferência do candidato, ou seja, de uma certa
maneira, você é "patrocinado" por uma empresa. O que acontece,
porém, na verdade é que as empresas perguntam se a pessoa já tem o visto. Mas
é óbvio que não, porque ninguém quis pedi-lo para você. É mais ou menos
parecido no Brasil com as empresas que perguntam se o candidato tem experiência,
mas como ele acabou de sair da universidade, óbvio que não tem experiência
pois ninguém quis contratá-lo ainda.
Logicamente, isso é com relação a conseguir um emprego sério. No caso de só
se estar vindo para cá para fazer um dinheiro e treinar inglês e depois voltar
para o Brasil, sempre se pode conseguir um trabalho em pub, lanchonete ou loja
de conveniência. Em todos os casos, é muito difícil pois não é como a
Inglaterra, que de uma maneira ou de outra acaba-se conseguindo pelo menos
alguma coisa para não passar fome. Aqui eles sempre perguntam qual a sua
nacionalidade. No caso dos pubs, seu trabalho vai ser carregar copos de vidro no
meio das multidões. O trabalho normalmente começa às 8 da noite. À
meia-noite os lugares estão lotados, e como normalmente são minúsculos, você
tem que equilibrar aquelas pilhas enormes de copos e tentar passar no meio dos
freqüentadores sem derrubar, alguns deles já devidamente bêbados. Mais ou
menos às 2 da manhã, os bouncers (leões de chácara de pub) já terão "limpado"
o lugar, ou seja, expulsado todo mundo, pois aqui os lugares fecham cedíssimo.
Aí é "só" deixar tudo limpo e arrumado. Mais ou menos umas 6 da
manhã, se o pub pagar seu táxi, você estará em casa dormindo.
Nas lanchonetes, seu serviço será provavelmente fazer hamburguer e há escolha
de turno, pode ser manhã, tarde ou noite, sendo que o último, é como no pub,
tem que limpar a cozinha toda e só vai para casa a altas horas. É um pouquinho
melhor porém, pois não tem contacto tão direto com o público. Dificilmente
você ficará no caixa, pois esta função é reservada aos trabalhadores legais
(os espanhóis adoram os McDonalds daqui!). Se trabalhar no McDonalds ou no
Burger King, vai ter um treino, pois afinal fazer um Big Mac ou um Whopper é
todo um processo!
Caso você consiga um sub-emprego, o cara que aceitar te contratar vai te pagar
o que eles chamam aqui de "cash in hand", ou seja, mais ou menos como
trabalhar ilegal no Brasil, sem carteira assinada. Para os empregadores é um
bom negócio, pois além de não pagar imposto, óbvio que o dinheiro que ele
economiza com imposto ele não vai te dar, ou seja, no final da história, você
vai ganhar a mesma coisa que o cara que paga imposto.
No caso de arrumar um emprego sério, na média, a cada 4 semanas que você
trabalha, vai estar trabalhando na prática três para si próprio e a quarta
para o governo. O imposto para quem ganha até um certo nível chega a pouco
mais de 20%. O funcionário terá que preencher um formulário que vai dar a ele
o direito de ter um número chamado P.P.S.N., que funciona como uma carteira de
trabalho, sem aquilo não se pode trabalhar legalmente na Irlanda. O que pode
acontecer é, dependendo de quanto tempo o governo levar para te dar o work
permit, eles podem colocar seu salário em taxa de emergência, o que significa
que a cada semana eles aumentam a taxa, até chegar a um nível em que o
funcionário vai estar ganhando apenas 5% do que trabalha, até que a situação
seja regularizada. Neste caso, se tem que ir ao tax office e mostrar a eles que
você já regularizou a sua situação. Aí, também, quando eles acertam tudo
você recebe de uma vez aquela bolada de dinheiro que eles te roubaram. Depois
de pagar a todo mundo a quem tinha pedido dinheiro emprestado, dá até para
fazer uma viagenzinha. Isto também pode acontecer com os europeus, basta que a
pessoa por algum motivo não tenha recebido o número referido acima.
Nota: a partir de 2002, o governo irlandês começou a arroxar cada vez mais o controle para aqueles que tentam arranjar um trabalho legalizado. Como se não fosse difícil o suficiente encontrar uma empresa que queira entrar com pedido junto ao governo, agora eles também impõem que a determinada empresa tenha prova por escrito que tentou de todas as formas possíveis conseguir um funcionário que seja da U.E. Depois de um longo processo, eles dão, ou não, o Work permit.
4 - A vida diária
O custo de vida não chega a ser alto como da
vizinha Inglaterra. Na Irlanda, certas coisas não estão mais tão caras, mas
em outras os preços foram reajustados puxando para cima a inflação. O que
causou a maior inflação da União Européia no período logo após a
implementação do Euro (cerca de 5% ao ano) aqui tem explicações muito
simples. Enquanto na Europa, os países normalmente não dependem tanto de bens
de consumo importados, aqui a maioria dos ítens de uso diário, principalmente
alimentos, vêm da Inglaterra, país que pulou fora do Euro. Obviamente se a
Irlanda importa até comida de lá, a gente está ganhando em Euro e se gastando
em Libras Esterlinas. Daí a inflação. Recentemente, porém, com a disparada
do Eueo, a inflação vem baixando um pouco..
Ainda sobre o custo de vida, aí vão alguns números: na Europa, as pessoas
fumam bem mais do que no Brasil. Obviamente, o governo sobretaxa os cigarros, no
que faz muito bem, e também as bebidas alcoólicas. Um maço com 20 Marlboros
custa USD 7,00. No pub, a cerveja é servida no tradicional copo de pint, medida
antiga que equivale a 568ml. Uma pint da cerveja nacional, como a Guinness pode
custar cerca de USD 4,50. As "importadas", mesmo que sejam feitas aqui,
como a Budweiser, custam qualquer coisa entre USD 4,50 e 5. Depois das 11, os
pubs colocam os preços no céu, então se você ainda não se embebedou, vai
ficar mais caro.
O medíocre serviço de ônibus de Dublin
é caro e você paga para esperar de 15 a 30 minutos em média em uma parada. A
passagem para mim custa cerca de USD 1. É a segunda mais barata, porque eu moro
perto do centro. Se morasse mais longe, existem tarifas que vão até a cerca de
USD 4. Dificilmente, porém pego um ônibus, especialmente depois da meia-noite,
quando o serviço normal pára e começam os Night Links, que custam cada uns
USD 5,50 para a maioria das rotas.
No que se refere a morar, o mercado imobiliário de Dublin está estourando. As
casas aqui até há 20 anos atrás custavam valores ridículos. Uma casa de um
tamanho razoável custava talvez £20 000. Não sei quanto seria isso em dolar
da época, mas para se comparar, é mais ou menos como comprar uma casa de um
quarto em qualquer cidade brasileira que tenha uns 20 mil habitantes. Uma casa
no interior aqui, era mais barato ainda, valores equivalentes ao de um carro
usado. Hoje em dia, porém, casas no interior custam cerca de USD 100 000 e em
Dublin é quase impossível conseguir uma casa por este valor, a maioria começa
em 200mil. E o céu é o limite. Há uns anos, venderam uma casa que fica a uns
50 metros de onde eu morava por meio milhão de libras! E as casas são feias,
há muito poucos apartamentos por aqui. Isso significa dizer que o aluguel
também não é barato. Eu morava sozinho em uma casa antiga, na qual cada
cômodo foi transformado em uma parte independente, com cama, armário e cozinha.
Com banheiro compartilhado, me custava USD 230 por mês. Recentemente me mudei
para uma maior, com banheiro privado, e estou pagando mais de USD500. A casa,
velha, é visitada de vez em quando por pequenas aranhas, mofo e os
eletrodomésticos que pertencem ao proprietário da casa são bastante velhos e
funcionam quando querem.
Antes de alugar um quarto, verifique se a casa tem instalação telefônica
pré-existente e confira se você pode usá-la. Se não, a cia.
telefônica vai cobrar um adiantamento de cerca de USD 300 para instalar uma 2a.
linha na casa, o qual será devolvido após 2 longos anos. A não ser que queira
depender eternamente de celular. Neste caso, traga do Brasil um celular de
sistema GSM, previamente descodificado e compre um SIM card ("chip")
das empresas Vodafone, O2
ou Meteor.
A comida aqui é outro ponto fraco. A alimentação é fornecida sempre por
redes de supermercados inglesas, como a Tesco
, o que na minha opinião, é o maior causador da inflação nesses tempos de
Euro. Toda a comida vem da Inglaterra que não é um país aderente ao Euro.
Frutas são poucas, as melhores são kiwis, morangos, pêssegos e maçãs. Há
algumas outras importadas como bananas da Colômbia, mangas do Brasil e uvas da
África.
Com todas as doenças que vêm atacando o rebanho bovino por aqui ultimamente, a
alimentação se restringe à galinha e o pescado. Há uma imensa variedade de
queijos: cheddar gordo, cheddar magro, cheddar amarelo, cheddar branco, vermelho,
ou seja, para achar um que não seja cheddar é um sacrifício. De doces, a
presença da Nestlé aqui é irrisória, o
mercado é inteiramente dominado pela inglesa Cadbury
, de cujos chocolates eu não gosto. Também chocolate para colocar no leite,
só há dois gostosos e que se parecem relativamente com os do Brasil, um
importado da Espanha, chama-se Cola Cao e o outro é o Nesquik da Nestlé, que
apesar de que o nome parece com o nosso Quik (aquele que tem o coelhinho) o
gosto parece mais com o Nescau. Os biscoitos são o grande problema. Todos eles
se chamam "digestive" e não há biscoitos recheados como conhecemos,
sendo o único o Oreo, que é importado da Espanha. Os outros que são bons são
o Shortbread, que é de manteiga e o Coconut Rings que tem gosto de coco e
granulado com açúcar cristal.
A boa notícia é que os tempos estão mudando, e novas redes estão se
instalando com rapidez. Dentre estas, a melhor é a LIDL,
subsidiária da empresa alemã de mesmo nome. Comparado com a Tesco, a Lidl é
um paraíso, com gêneros alimentícios nunca antes vistos aqui, uma variedade
incrível de queijos, biscoitos, bebidas, sucos, a maioria importada do
continente e conseqüentemente com preços mais baratos. A única desvantagem é
que normalmente são hipermercados, e em áreas somente acessíveis de carro.
Para não ficar atrás, a Tesco contra atacou, abrindo o primeiro super mercado
que funciona 24 horas na Irlanda, localizado a norte de Dublin. É um alívio,
já que estão abertos em dias anteriormente impensáveis, como natal e ano
novo.
5 - Guardando seu dinheiro
Os bancos aqui são uma piada. No começo, me
recomendaram o Bank of Ireland , o maior de
todos, é como o Banco do Brasil daqui. A empresa tem uma conta lá, então cada
funcionário novo, eles indicam para abrir uma também. Logo descobri que os
caras são muito ruins. A começar pelas taxas de banco. Aqui os caixas 24 horas
não são como no Brasil, mas parecem com os "Multibanco", de
Portugal. Na verdade, a maioria dos bancos tem seus ATMs (automatic teller
machine, como se chama banco 24 horas em inglês) e a maioria deles têm acordos
entre si. Então se você tiver conta em um banco, pode tirar dinheiro no ATM do
outro e etc. Logicamente, certos bancos cobram para isso, sendo que o B.o. I. é
um deles. Procurei então o National Irish Bank
. Não sabia em que furada estava me metendo. Cada fim de mês, eu pego uma
quantia em dinheiro vivo para pagar o aluguel e as contas, que eu pago no
correio, pois eles não cobram taxa. O N.I.B., além de ser o único banco que
não tem agência no meu bairro, limita os saques no 24 horas a €200 (era 100
antes!). O que significa que eu tenho que ir à agência retirar pessoalmente o
dinheiro, portando uma forma de identificação, sob pretexto de segurança. O
telephone banking é motivo de riso. Não durei muito com eles, e agora tenho
conta no Ulster Bank, que recomendo, é
o melhorzinho de todos.
Sobre cartões de crédito, é uma outra luta pela qual passei. Com mais de 5
anos residente aqui, agora é fácil. Mas antes, foi um pesadelo. Aqui não há
uma operadora de cartões independente como a Credicard. Cada banco emite seu
Visa e seu Mastercard, ou às vezes só o Visa e teoricamente você não precisa
ter conta para ter o cartão. Logo que abri minha primeira conta, tentei no Bank
of Ireland. Fui, depois de recusado, tentando em todos os bancos da Irlanda,
até que acabei pedindo à MBNA
, uma instituiçao financeira que é o que há aqui de mais parecido com a
Credicard, um visa. Eles me deram e eu, apesar de instaisfeito, tive que me
contentar com isso mesmo. Desde então, continuei a tentar, já que prefiro o
Mastercard, e sempre fui recusado. Até que finalmente, consegui um MasterCard
no Ulster Bank.
Quanto a cadernetas de poupança... adivinha? Não existe, ou pelo menos da
maneira que a gente conhece. Há " savings accounts", que funcionam de
maneira que você tem que se comprometer a ter em sua conta corrente um
determinado valor ao fim de cada mês, o qual é automaticamente transfeirdo, à
sua conta poupança. A cada seis meses há o acréscimo de juros que hoje em dia
são cerca de 4% ao ano. Em um país com inflação de 5% ao ano, de que adianta?
Já perguntei se havia poupanças no modelo brasileiro, aquela que você junta
quanto quer e quando quer. Ele me disse que até há, mas os juros não chegam a
1% ao ano.
6 - Entretenimento
Quando vim para cá, em 1998, acreditava que
até que aqui era legal, e que eu ia ter abundância de divertimento. Na verdade,
nos primeiros dias chegava até a sair todos os dias. Comecei então, a achar
estranho a "variedade" musical dos pubs e a hora em que tudo se
acabava. O tempo passava, e fora as músicas de natal, eles quase sempre tocavam
tudo aquilo que você dançou na semana anterior, especialmete se for habitué
de um mesmo pub. Quanto ao fechamento, normalmente à 1:30, o DJ já descarrega
as piores músicas de seu acervo, para espantar o pessoal. Às duas da manhã,
está tudo acabado. Depois vim a descobrir que é devido a leis seculares do
tempo de que a Irlanda era politicamente uma colônia inglesa (hoje ainda é,
mas não politicamente), segundo as quais não se pode vender álcool depois das
11 da noite sem licença, e as licenças só vão até uma determinada hora da
manhã. Enquanto na Inglaterra eles já superaram isso, aqui continua.
Se você for a um night club de verdade,
que são bons, pode ser que dê uma sorte e consiga ficar até as 3 da manhã.
As discotecas, fora o horário, são boas. Eles trazem sistemas de som enormes
da Alemanha e da Inglaterra e DJs famosos ingleses e europeus fazem
apresentações ocasionais como Judge Jules, John Cecchini e Paul van Dyk. Para
quem gosta de música techno, a Irlanda está de parabéns, em Dublin há três
ou quatro rádios do estilo (nunca se sabe, pois são todas piratas) e em Cork
duas. Há até músicas techno irlandesas que chegaram a ser tocadas na maior
festa do gênero do mundo, a Love Parade, que acontece cada verão em Berlin. As
casas noturnas ganham seus nomes em homenagem às discotecas da meca Ibiza, como
Pacha, Rotate, etc.
A comunidade brasileira, que já é bem numerosa, organiza festas freqüentes.
Mais detalhes no amigosdobrasil.net®.
Também a Embaixada Brasileira tem seu
website, e atende muito bem nossos compatriotas.
Para quem não gosta nem um pouco disso, há os pubs e também os shows de
música pop e rock. Dublin tem estado freqüentemente no circuito dos grandes
shows e a prata da casa aqui tem uma influência incrível. O U2, em seus dois
shows no verão de 2001, lotou as duas apresentações em 45 minutos, com vendas
de ingressos por telefone, internet e
em lojas de discos. Ninguém sabia que ia haver um show. Simplesmente começaram
a vender os ingressos do nada e acabou em 45 minutos. Em 2005, o mesmo quadro. E
foi ainda pior, porque como a turnê foi amplamente anunciada, os ingressos se
esgotaram em 15 minutos. No geral, nunca vou a shows aqui, pois são em geral
vendidos cerca de seis meses antes de que aconteçam. Como é que você vai
saber se vai estar vivo daqui a 6 meses?
Falando de cinema , desde a
primeira vez que estive na Europa, em 1994, descobri porque os filmes chegam
primeiro no Brasil. É que na Europa, eles são dublados e não legendados, com
exceção da Holanda, Portugal, Suíça e Escandinávia. Aqui e na Inglaterra,
obviamente, não precisam tradução, mas meso assim, chegam bem mais tarde que
no Brasil.
A televisão aqui é a prova mais clara do quanto a Irlanda ainda é uma
colônia inglesa. Há três canais nacionais, RTE1
, Net2, TG4 (em língua irlandesa) e a TV3, que
pertence ao um grupo canadense. Até que não são ruins, passam certas séries
americanas e reprisam as sofríveis novelas inglesas. De resto todas as outras
televisões são inglesas, as estatais BBC
1 e 2, os privados Channel4 e ITV e as
dezenas de canais pagos do sistema Sky ,
pertencente ao australiano Rupert Murdock, acionista minoritário da Sky
brasileira e da Globosat.
O sistema tem melhorado e barateado bastante, sendo que agora, se você pagar
cerca de €30/mês, tem a parabólica de graça, dezenas de canais de TV e
rádio, e ainda tem uma TV brasileira, Record
Internacional.
Para terminar, falando de esportes, aqui os principais são o Rugby, os Jogos
Gaélicos e o futebol. Os torcedores irlandeses torcem para times ingleses,
sendo que as maiores torcidas são do Manchester United e do Glasgow Celtics.
Este texto foi atualizado pela última vez em Fev./2005. São impressionantes as mudanças pelas quais o país passou nestes últimos 6 anos, e por incrível que pareça, até eu, que sempre fui um crítico ferrenho do "modus vivendi" irlandês devo admitir que em algumas coisas, a mudança foi para melhor. Principalmente, no que se refere a disponibilidade de gêneros de consumo, por exemplo. A Irlanda está se dando conta que a sua população, tanto a nativa como os "novos irlandeses", quer uma vida confortável, onde se tem tudo a qualquer hora e a preços acessíveis, assim como acontece na Europa. Poderia até dizer que, algum dia, a vida neste país está bem mais suportável.
Então, isto foi o que pude compilar durante esses anos aqui. As opiniões divergem muito entre os brasileiros daqui, inclusive alguns colegas me "crucificam" por falar tão mal do "país que me acolheu de braços abertos". Obviamente a maioria destes são pessoas casadas ou que tem algum vínculo amoroso ou de família com um nativo. Mas isto é a minha opinião, e lamento por quem não gostou, afinal há liberdade de expressão, principalmente na internet.
Alexandre Doria nasceu no Rio de
Janeiro, Brasil, no dia 20 de outubro de 1973. Graduado em Geografia, pela
Universidade Federal Fluminense em 1996, trabalhou 3 anos em turismo. No momento,
reside, ou pelo menos passa a maior parte do tempo em Dublin, República da
Irlanda, onde está a serviço de uma grande companhia aérea. O propósito
desta é de compartilhar experiências vividas nos últimos dois anos, em suas
andanças por vários países da Europa, América do Sul, Oceania e Ásia
Visite o site de Alexandre Doria: www.alexdoria.com
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